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      O que é o reganho de peso após a Cirurgia Bariátrica?

       

       

      Quando você, que fez a cirurgia bariátrica, ouve a palavra REGANHO até se arrepia, né?
      Mesmo antes da operação essa palavra já assombra…
      Quem nunca ouviu: “Vai operar? Mas conheço fulano que fez e engordou tudo de novo!”
      Verdade seja dita, é possível engordar tudo de novo, mesmo com a cirurgia bariátrica. E quando isso acontece o sentimento é de fracasso. Frustração! Parece que você desperdiçou a cirurgia. Desperdiçou a chance da sua vida. A ÚLTIMA chance… engordei depois da bariátrica, e agora?

      Eu já ouvi essa história centenas de vezes. Por isso quero começar te explicando o que é o reganho de peso pós cirurgia bariátrica e quando ele começa a ser preocupante. Acho que depois desse texto, uma grande parte dos leitores vai se sentir aliviado e a outra parte vai entender que, a pesar de ter ganho peso novamente, sua cirurgia continua funcionando e que com ajuda você pode voltar a perder.
      Essa palavra serve para qualquer peso que aumenta na balança. Perdeu 50kg depois da bariátrica e aumentou 2kg durante a pandemia. Foi um reganho. Mas, a pesar da inquietação que isso pode te provocar, não tem implicação clínica. Esses dois quilos não vão fazer diferença na sua saúde.

      É normal e esperado um reequilíbrio do seu corpo depois de uma grande perda. Quanto? Até 10% do seu menor peso. Por exemplo, minha paciente Odete (esse é um nome fictício para proteger sua privacidade) de 42 anos operou com 122kg. Seu menor peso foi 78kg. É normal e esperado que entre o segundo e quinto ano ela aumente até 85 (7kg, que é 10% de 70).
      Mas, mas, mas…
      Desculpa a grosseria: mas nada. Rsrsrs!
      Eu entendo que você não queria que isso acontecesse. Mas está tudo bem.

      Me ouve: não faz diferença na sua saúde. Pare de buscar uma perfeição que não existe. Pare de pensar que com você será diferente das centenas de milhares de pessoas que fizeram a bari antes de você. Foque na sua saúde. Faça atividades físicas de força para ganhar músculos. Isso sim vai te trazer um resultado estético e de saúde duradouros.

      E quando eu preciso me preocupar, então?
      Começa a me preocupar quando o ganho de peso passa de 20%. Naquele caso da Odete, seria se ela aumentasse mais de 15kg. Aí eu já acho que precisa de uma intervenção.
      A comunidade médica e científica define como recidiva da obesidade quando o ganho de peso após a cirurgia é maior do que 50% de todo o peso perdido ou quando aumenta 5 pontos no IMC. Vamos usar a Odete de novo: ela perdeu 44kg, então seria recidiva se aumentasse 22.
      Conseguiu entender bem essa diferença entre reganho e recidiva?
      Reganho: qualquer peso que sobe na balança, geralmente não altera a saúde. Recidiva: quando aumenta 5 pontos ou mais no IMC, geralmente já tem implicação na saúde.
      Agora me conta, em qual grupo você está?

      Por que ele ocorre?

      Não existe uma causa única. Seria muito mais fácil se a obesidade fosse uma doença como o diabetes, um problema em um hormônio. Mas não é.
      A obesidade é uma doença multifatorial. A recidiva também.
      Quero pedir licença para contar a história de outra paciente, a Janete, para você entender.
      Janete fez a bariátrica, técnica do Bypass, há 11 anos.
      Ela operou com 114kg. A altura dela é 1,62. Seu IMC na cirurgia era 43. Ela tinha pré-diabetes, pressão alta, gordura no fígado, dor nos joelhos e na lombar, depressão e já não tinha folego para nada.

      A bariátrica da Janete foi um sucesso. Ela perdeu 43kg nos primeiros dois anos e foi a 71kg. Melhorou de todas as comorbidades e parou de tomar remédios. Depois teve um reganho pequeno e ao longo dos anos se manteve com 75.
      Em 2015 teve um filho e engordou 17kg na gravidez, perdeu 10, mas não conseguiu perder o resto. Teve a segunda filha em 2017. Sobrou mais 4 quilos.
      Aí, com 2 crianças a vida dela virou uma loucura. Não conseguia mais fazer nenhuma atividade física. Comia a hora que lembrava. Não dormia.
      Quando chegou aos 90kg, desesperada, ouviu falar de um procedimento por endoscopia que ia ajuda-la a emagrecer de novo. Era caríssimo, mas cheia de esperança, ela juntou o que não tinha, pediu ajuda pros pais e conseguiu! Fez 3 sessões. Depois de cada sessão ela fazia uma dieta liquida e com isso conseguiu perder 6kg. Mas ao longo do ano seguinte ganhou tudo de novo e mais…

      Em 2019, quando me procurou estava com 96kg. Estava se sentindo um fracasso. Achou que tinha perdido a cirurgia.
      Sentia vergonha de falar que já tinha feito a bariátrica. Sabia que falavam mal dela pelas costas…
      Quando perguntei da sua alimentação, me contou que comia de tudo mas muito pouco – sempre no pratinho de sobremesa. E então me descreveu sua rotina:
      7h: Café com leite. Às vezes uma ou duas torradas.
      12h30: Arroz (ou macarrão), feijão, alface, tomate, frango ou peixe (não come bem carne vermelha ou comida seca desde que fez o plasma).
      17h: 1 fruta ou 1 pedaço de bolo ou bolachas
      22h: omelete ou salada com frango.
      Ela me disse que se controlava muito bem durante o dia, mas a noite sentia muita fome e começava a beliscar. Nessa hora, comia qualquer coisa que tivesse.
      Nos fins de semana ela gostava de tomar umas cervejinhas. Mais ou menos 6 latinhas na sexta e 6 latinhas no sábado. Algumas vezes, quando tinha almoço de família, bebia no domingo também.
      Também perguntei se estava tomando alguma vitamina e ela me disse que só tomou nos primeiros 6 meses depois da bariátrica e quando estava gravida tomou ferro na veia, porque teve uma anemia séria.
      Quando indaguei se estava tendo queda de cabelos a resposta foi: “muita”!

      E agora eu te pergunto: dá para colocar a culpa em um só fator?
      Vendo essa história, quantos pontos “atrapalhadores” você consegue identificar?
      Tem algumas coisas mais óbvias como alimentação e atividade física, né? Mas quero citar aqui outras causas que não são lembradas e são tão importantes quanto.
      Estresse;
      Sono desregulado;
      Bebidas alcoólicas;
      Hábito de beliscar;
      Comer noturno;
      Uso de medicamentos com efeito metabólico;
      Falta de vitaminas;
      Falta de acompanhamento multidisciplinar;
      Baixa porcentagem de massa muscular/ alta taxa de gordura corporal;
      Beber pouca água;
      Causas relacionadas à técnica cirúrgica. (Essa é única das causas que você não tem controle).
      Qual ou quais dessas você percebe que estão na sua rotina?

       

      O que fazer para evitar?

       

      Não sei se você sabe, mas 2 em cada 10 pessoas podem ter recidiva depois da bariátrica.
      A obesidade é uma doença crônica e progressiva, ou seja, ela tem uma tendência de piorar ao longo dos anos. Infelizmente.
      Essa estatística é muito pior para tratamentos clínicos (dietas, exercícios e medicamentos), e pode chegar a 90% de recidiva.
      Mas é o que é. Temos que fazer o melhor que podemos dentro dessa realidade.
      Esclarecido isso, vou te ensinar 5 estratégias para evitar a recidiva depois da bariátrica.
      Faça um bom preparo pré-operatório;
      A alimentação de manutenção não pode ser restritiva;
      O melhor exercício para manutenção é o de resistência;
      Controle do sono e do estresse são tão importantes quanto dieta e exercício;
      O acompanhamento com a equipe multidisciplinar é fundamental para evitar que o paciente ganhe peso depois do procedimento cirúrgico;
      Dica extra: se sair da linha, não desista. Recomece.
      Vou explicar cada uma em detalhes:
      Preparo pré-operatório

      Não adianta fazer os exames correndo, passar em qualquer nutri e psicóloga só para pegar o laudo e operar sem conhecer as mudanças que estarão por vir.

      Quem olha de fora pode achar que a cirurgia é uma maneira fácil de emagrecer, mas a verdade é que esse procedimento tem várias exigências para ter sucesso duradouro.

      Primeiro ponto é entender que a cirurgia é apenas uma ferramenta (a melhor que existe por enquanto) e que se não tiver mudanças profundas no comportamento, o reganho é quase certo.

      Segundo é preciso alinhar as expectativas. Pessoas que operam com a intenção de ficar magérrimas com corpo de modelo, tendem a se decepcionar.

      Terceiro: na operação vamos mudar sua anatomia (o desenho do seu sistema digestório) e com isso vamos mudar a fisiologia (que é o funcionamento do seu corpo). Por isso, você precisa aprender quais são essas mudanças e como isso impactará seu dia a dia.

      A alimentação de manutenção não pode ser restritiva
      A alimentação depois da bari é bem específica. Temos um modelo que chamamos de prato bariátrico.
      Esse prato é composto 50% de fontes de proteína (carne, peixe, frango, ovo, queijo, iogurte), 30% de fontes de fibras e vitaminas (folhas, legumes, verduras, frutas) e 20% de carboidratos (arroz, feijão, macarrão, batatas, mandioca, inhame, pão, tapioca, cuscuz…).
      Nada é proibido depois da bari! Passado o período de readaptação você poderá comer todos os tipos de alimentos. Recomendamos, apenas, que aqueles ultra processados e fast-foods sejam consumidos de maneira eventual.

      O melhor exercício para manutenção é o de resistência
      Existe uma crença geral de que os melhores exercícios para emagrecer são os aeróbicos, como caminhada, corrida e bicicleta, mas isso não é verdade.
      O melhor exercício para perda e manutenção de peso são os exercícios de força ou de resistência.
      Quais são esses exercícios? Musculação, Crossfit, funcional, pilates.
      O músculo além de gastar energia mesmo em repouso, é um órgão endócrino, que produz hormônios que ajudam na regulação da fome e da saciedade.
      O treino ideal para quem fez a bariátrica são do tipo HIT: rápidos, que intercalam força e velocidade, para manter os batimentos cardíacos acelerados.
      Quinze minutos por dia são suficientes se forem bem orientados.

      Controle do sono e do estresse são tão importantes quanto dieta e exercício
      Se o sono ou o estresse estiverem alterados, vai ser muito difícil perder ou manter seu peso.
      É durante o sono que os hormônios que regulam a fome e a saciedade são programados.
      Quando não dormimos bem, temos nossa capacidade de reagir alteradas e ficamos menos resistentes às pequenas tentações alimentares. Além disso teremos menos disposição para gastar energia.
      Dormir mal eleva a meta de gordura corporal.
      E o estresse?
      Bem resumidamente, o estresse crônico aumenta o cortisol que aumenta a insulina que aumenta o armazenamento de energia em forma de gordura.
      Estresse, ansiedade e dormir mal engordam.

      O acompanhamento com a equipe multidisciplinar é fundamental para evitar o reganho de peso após cirurgia bariátrica.
      A equipe multidisciplinar do paciente que faz a bariátrica é composta pelo cirurgião, nutricionista, psicólogo, educador físico, e de acordo com a necessidade ainda entra o endócrino, o cardiologista, o psiquiatra e outros.
      Uma das funções dessa equipe é avaliar a perda e manutenção do peso, mas não é só isso. Precisamos ficar de olho nas vitaminas, no comportamento alimentar, nas dificuldades do dia a dia. A equipe tem uma função importante na renovação do compromisso com sua saúde.
      Não é só para repetir o que você já sabe. É para te ajudar a criar novas estratégias para aqueles pontos que estão mais difíceis.

      Dica extra: se sair da linha, não desista. Recomece.

      Parece óbvio, mas não é. A maioria das pessoas tende a desistir depois de um fim de semana derregado. Às vezes basta uma refeição fora do padrão para você achar que jogou todo esforço do mês no lixo e desistir da dieta e fugir da academia.

      Se por acaso acontecer com você. Se enfiar o pé na jaca em um churrasco ou encontro de amigos, não se preocupe. Isso é a vida. Na próxima refeição, não se castigue. Na próxima segunda não faça nenhum detox, nem jejum, nem 2h de aeróbico. Simplesmente volte à rotina.

      Por: Dra. Helena Malnati

      Dra. Helena Malnati é Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. Graduada em Medicina (UNB) com Especialização em Cirurgia Geral, Cirurgia Geral Avançada e Videolaparoscopia.

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      Atualizado 16/03/2021

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